Evolução revolucionária

Antes, discutíamos se as empresas estavam passando por uma evolução ou por uma revolução. Hoje, as empresas estão correndo o risco de desaparecer em poucos anos.

Por Luiz Carlos Cabrera*

Times Square: em dez anos, só três empresas seguem na lista das dez maiores companhias com ações na bolsa | <i>Crédito: Kelsen Fernandes / Fotos Públicas
Times Square: em dez anos, só três empresas seguem na lista das dez maiores companhias com ações na bolsa | Crédito: Kelsen Fernandes / Fotos Públicas
Na verdade, eu queria denominar este artigo de “Disruptura!”. Mas essa palavra não existe na língua portuguesa. To disrupt, em inglês, quer dizer interromper, perturbar, desconcertar. É o que está acontecendo quando pensamos no futuro das empresas. Por muito tempo, discutimos se as empresas estavam passando por uma evolução ou por uma revolução. Hoje, é muito mais grave. As empresas estão correndo o risco de desaparecer em poucos anos. 

Em 2006, as maiores empresas listadas (com ações em bolsa) do mundo eram: Exxon Mobil; General Electric; Gazprom; Microsoft; Citigroup; Bank of America; Royal Dutch Shell; British Petroleum; PetroChina e HSBC. Em setembro último, a revista The Economist trouxe o levantamento atualizado das dez maiores: Apple; Alphabet; Microsoft; Berkshire Hathaway; Exxon Mobil; Amazon; Facebook; Johnson & Johnson; General Electric e China Mobile. Prestem atenção. Após dez anos, só três empresas seguem na lista. 

Em 1998, a Kodak tinha 170 000 funcionários e vendia 85% de todo o papel fotográfico do mundo. Hoje, 18 anos depois, praticamente desapareceu em função da evolução revolucionária das câmeras digitais. De início, elas demoraram para “pegar”. De repente, se tornaram um sucesso. Aí foi tudo muito rápido e a Kodak não teve tempo para reagir. 

A mesma coisa vai acontecer com a inteligência artificial, com os equipamentos de saúde ou a impressão em 3D. Vamos pensar nos automóveis. Hoje, eles são projetados como se fossem celulares, com uma série de funções de localização, orientação de trânsito e procura de alternativas de serviços. Isso sem falar dos carros autônomos. Pode ser que meu neto de 1 ano nem precise tirar carteira de habilitação. 

Mas, por que falar nessa evolução revolucionária? Para orientar as opções de carreira dos jovens. Como se preparar para esse futuro imponderável? Será que os cursos universitários vão conseguir preparar as novas gerações? Eu, particularmente, acredito que o investimento terá de ser concentrado em conhecimentos fundamentais, como matemática, português, ciências da computação, lógica e modelagem de raciocínio. 

Muito do que o futuro nos reserva é absolutamente desconhecido hoje. Por isso, o reforço dos aspectos comportamentais – a liderança servidora, a capacidade de construir e manter relacionamentos, a habilidade de leitura e diagnóstico dos ambientes e de adotar um posicionamento por meio de atitudes adequadas – fará a diferença, pois mesmo uma evolução revolucionária nunca os tornará obsoletos.

*Luiz Carlos Cabrera escreve sobre carreira, é professor da Eaesp-FGV, diretor da Amrop Paneli Motta Cabrera e membro da Advisory Board da Amrop Internacional

28/10/2016 - 12:01

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