Os curiosos têm mais chances

As empresas estão com a estrutura mais enxuta. Nesse contexto, os profissionais precisarão explorar possibilidades de crescimento alternativas à promoção tradicional de cargo

Por Rafael Souto*

As oportunidades de crescimento linear estão mais escassas. Não há tantos cargos e movimentos ascendentes como no passado | <i>Crédito: Pixabay
As oportunidades de crescimento linear estão mais escassas. Não há tantos cargos e movimentos ascendentes como no passado | Crédito: Pixabay
O norte-americano Mark Savickas desenvolveu os conceitos do que chamamos de “adaptabilidade de carreira”. Savickas é uma das maiores autoridades mundiais em aconselhamento profissional. A construção sobre adaptabilidade é um importante marco nas reflexões sobre gestão de carreira. O conceito darwiniano trazido para o mundo dos negócios trata da prontidão das pessoas para adaptar-se às mudanças com menos dificuldade e, portanto, sobreviverem nesse mundo em transformação.

A essência da adaptabilidade de carreira está no protagonismo que o indivíduo deve ter sobre sua vida profissional. Pessoas com baixo controle sobre seu futuro tendem a ter mais dificuldade de adaptar-se. São profissionais que só vivem o hoje. Tomam decisões sem medir o impacto no futuro e esperam que as empresas os carreguem. Delegam sua carreira ao mundo. Ao contrário, aqueles que possuem maior gestão sobre seus rumos profissionais tendem a fazer escolhas com maior êxito.

Entre as competências identificadas por Savikas sobre a adaptabilidade de carreira,  destaco a curiosidade. A ideia defendida nesse conceito é a capacidade de exploração ativa. As empresas vêm reduzindo suas estruturas num ambiente de negócios altamente competitivo. O número de níveis hierárquicos caiu drasticamente nos últimos anos. Buscando eficiência e eliminação de custos, as empresas cortaram cargos e ajustaram sua arquitetura organizacional.

Isso nos traz duas conclusões. A primeira é que as possibilidades de crescimento linear são mais escassas. Não existem tantos cargos e movimentos ascendentes como houve no passado. A segunda conclusão é de que o profissional precisará fazer mais movimentos laterais e buscar crescimento que não seja apenas a promoção tradicional de cargo. Isso exige exploração ativa. É a competência da curiosidade. Na prática, significa pesquisar alternativas na empresa, questionar possibilidades e estar aberto a novas experiências. 
Nesse cenário, a busca pelo diálogo de carreira entre líder e equipe será fundamental. As conversas buscando entender os desejos e ambições do profissional e a conexão com o projeto empresarial serão cada vez mais necessárias. E, nesse momento, a competência da exploração ativa é essencial. Investigar alternativas, discutir possibilidades de carreira e navegar nesse mundo menos estruturado são desafios para todos os profissionais do século XXI.

*Rafael Souto é fundador e CEO da consultoria Produtive, de São Paulo. Atua com planejamento e gestão de carreira, programas de demissão responsável e de aposentadoria. 


05/01/2017 - 12:18

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