Como aproveitar as liquidações

Saiba como aproveitar as oportunidades sem comprometer a renda

Por Anna Carolina Rodrigues

Dicas para aproveitar as liquidações | <i>Crédito: Pixabay
Dicas para aproveitar as liquidações | Crédito: Pixabay
As vendas das lojas de shopping centers tiveram queda de 1% durante o período do Natal  – época que costuma ser a mais próspera e lucrativa para o comércio. Esse foi o pior resultado para os shoppings nos últimos 10 anos, segundo a Alshop, associação que representa os lojistas de shoppings centers. Em relação à primeira quinzena de janeiro, dados da Associação Comercial de São Paulo mostram queda de 20% nas vendas em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Dentre os diversos motivos para essa derrocada estão a redução das vendas a prazo devido ao aumento da taxa de juros, a retração do crédito e a baixa confiança do consumidor. Além do aumento do desemprego e da elevação do dólar, que encareceu o preço de alguns produtos. “Com o balanço ruim no final do ano, a maioria das lojas, mesmo as que compraram menos, terminou o período natalino com estoque maior do que esperava”, diz Luis Augusto Ildefonso, diretor institucional da Alshop, de São Paulo. Resultado: excesso de mercadoria nas prateleiras. De acordo com a Fecomercio, de São Paulo, a proporção de empresários que dizem ter produtos encalhados subiu para 37,6% em janeiro de 2016, uma alta de 0,4 ponto percentual em relação a dezembro.  “O excesso de estoque reprimido faz com que o lojista se preocupe em fazer ofertas bastante atrativas, que podem chegar a 60% de desconto, para despertar a vontade de o consumidor comprar”, afirma Luis.  

Apesar das ofertas, alguns cuidados são fundamentais para aproveitar a onda de preços baixos. O mais importante é comprar aquilo que realmente será útil e não adquirir nada por impulso. “Andar pelo shopping e ver tudo em liquidação é uma tentação, por isso, quem tem tendência ao consumo, está com dívidas ou que tem o nome negativado, não deve se deixar levar pela promoção”, diz Fernanda Monnerat, diretora do SerasaConsumidor, de São Paulo.

Comprar sem planejamento, por melhor que seja a oferta, pode comprometer tanto os pagamentos de começo de ano, (que incluem IPTU, IPVA, matrícula, material escolar e parcelas dos presentes de Natal e viagens), como atrapalhar o orçamento pelo resto do ano ou ainda agravar uma situação de inadimplência. Para quem está com as contas em dia, a orientação de Fernanda é fazer um exercício mental e numérico  para ver até onde se pode ir. “Isso significa colocar efetivamente as contas no papel, ver qual é seu gasto previsto e, por fim, se se você  realmente precisa comprar aquilo”, afirma Fernanda. Uma das dicas para manter o controle na hora da empolgação é fazer uma lista de desejos, para não se deixar levar pelos cartazes coloridos e a lábia do vendedor que vai tentar empurrar uma boa parte do estoque encalhado.  

Para o planejador financeiro pessoal Valter Police, fazer esse exercício mental antes de sacar a carteira é essencial, pois por mais que o produto esteja mais barato, o gasto sempre vai representar um desperdício. “Tem um provérbio que diz que vale mais pagar 2 reais por algo de que você precisa e que vale apenas 1 real do que pagar 1 real por algo que vale 2 reais e de que você não precisa”, diz Valter. Antes de gastar, é importante calcular quanto do orçamento realmente está sobrando para compras extras. Muita gente compra para ter aquele prazer momentâneo ou para compensar uma semana difícil, mas se esquece de que a dívida pode pesar durante muito tempo – e que ela não é nem um pouco prazerosa. Uma boa maneira de se preparar para as liquidações é usar bem a tecnologia para pesquisar preços e negociar as ofertas nas visitas às lojas. “Com a economia em desaceleração e o possível aumento dos juros para controle da inflação, os juros do cartão de crédito ficarão elevados e é importante não se endividar apenas porque um produto está em promoção”, diz Mateus Ponchio, professor e pesquisador do Mestrado Profissional em Comportamento do Consumidor (MPCC), da ESPM, de São Paulo. Também vale dar um intervalo de dois ou três dias entre a tentação de comprar e a compra efetiva de um novo bem. “Esse tempo ajuda a transferir a decisão do lado emocional para o lado racional. Se depois disso a vontade permanecer e for algo de que realmente precisa, não se preocupe, pois o produto vai estar lá”, diz Valter, que também recomenda aos pais evitarem de levar os filhos para as compras. “Se os adultos já tem esse lado emocional que influencia nas compras, imagina a criança.”

Mas vale o alerta: 2016 não deve ser um ano de liquidação total, mas de promoções constantes e bastante convidativas para todos os segmentos. Assim, uma boa maneira de economizar é fazer uma revisão do orçamento doméstico e tentar enxugar gastos supérfluos com TV a cabo, telefone e até seguro de carro, por exemplo, para manter o mesmo padrão de consumo. “Quanto mais as pessoas conhecerem a composição das despesas mensais, maior a chance de otimizar os gastos e de sobrar dinheiro para alguma comprinha no shopping ou investimento”, diz Mateus.

5 armadilhas que enganam seu cérebro
Uma série de fatores estimula as pessoas a comprar mesmo quando não têm condições para pagar. Saiba reconhecê-los
1.    Parcelamentos: Eles criam a ilusão de que o produto custa pouco. Considere o valor total, incluindo os juros. E, antes de decidir, some todos os parcelamentos contratados para saber o quanto eles comprometem sua renda mensal.
2.    Compre agora e pague depois: Isso distancia a compra do pagamento, antecipa a “alegria” de possuir um item e retarda o sofrimento de pagar por ele.
3.    Promoções: Confira se o preço está mesmo mais baixo do que o preço normal e só leve para casa o que realmente precisar.
4.    Mania de colecionar: Desde crianças, somos estimulados a colecionar.  Por isso, avalie se você precisa mesmo de um novo colar, relógio ou sapato – ou se é só mais um item para a sua vasta coleção.
5.    Crédito fácil demais: Se já está endividado e não encontra restrições para tomar crédito na loja, desconfie. Possivelmente, irá pagar juros maiores.  E pense duas vezes antes de contratar o empréstimo consignado, que é descontado do salário.
Fonte: “Como controlar o impulso na hora de comprar”, e-book Serasa

Como aproveitar as liquidações e não comprometer o orçamento
1.    Faça uma lista de desejos: Isso ajuda a manter o foco, mas antes de qualquer compra, pergunte-se: “Eu realmente preciso disso?”
2.    Defina um orçamento: Reserve previamente um valor para gastar com itens de desejo. Leve em conta gastos como IPVA, IPTU, material escolar, parcelas prévias etc.
3.    Use dinheiro vivo: Com cheque ou cartão de crédito fica mais fácil perder a noção dos gastos. Aproveite o pagamento à vista para negociar mais descontos.
4.    Guarde as notas: Guarde todos os cupons fiscais e, no final do dia, anote tudo o que gastou. É o melhor jeito de conhecer suas despesas variáveis.
5.    Priorize as dívidas: Gastar dinheiro antes de quitar dívidas antigas pode gerar uma bola de neve.
Fontes: Fernanda Monnerat, diretora do SerasaConsumidor, Matheus Ponchi, da MPCC-ESPM e Valter Police, planejador financeiro pessoal.

Ofertas online
Na internet, os cuidados precisam ser redobrados. Veja algumas ferramentas que podem ajudar nas boas compras
1.    Use comparadores de preço - Sites como Buscapé, Bondfaro, Zoom  e Baixou mostram e comparam preços de produtos de diferentes lojas, o que ajuda a encontrar a melhor oferta. Dentre os serviços estão o cadastro de alertas, o histórico de preços para saber se a promoção é válida e até seguros para compras até determinado valor.  
2.    Aproveite os cupons - Além das promoções, acesse sites como Cia dos Descontos (ciadosdescontos.com), Cuponation (cuponation.com.br) e Save Me (saveme.com.br) para tentar achar cupons que diminuam o preço ainda mais.
3.    Confira se a loja é confiável - Veja a lista de reclamações sobre sites no Procon-SP (bit.ly/SKcpsf) e no Reclame Aqui (www.reclameaqui.com.br) e verifique se o site possui atendimento pós-venda.
4.    Proteja-se de hackers  - Não use computadores públicos para fazer compras. No de casa, instale antivírus, antispyware e firewall para evitar que seus dados sejam roubados.
5.    Use serviços de pagamentos conhecidos - Isso também evita o roubo de dados financeiros. As mais conhecidas são BCash, PagSeguro, Mercado Pago, MoIP e PayPal
Fontes: Zoom, Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.

14/03/2016 - 09:39

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